Policiais Civil acusados de matar colega serão investigados por desvio de conduta Detetive morre baleado em ação de combate ao tráfico e, segundo as investigações, os tiros foram disparados por colegas dele, que estariam no local para receber propina de bandidos

Posted On 28/09/2014

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Andréa Silva

Publicação: 27/09/2014 06:00 Atualização: 27/09/2014 07:17

Acusados Lucas e Luno, que se apresentaram à Corregedoria da Polícia Civil (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Acusados Lucas e Luno, que se apresentaram à Corregedoria da Polícia Civil

Quatro anos a serviço da Polícia Civil e nenhum processo administrativo nesse período. Mas a ficha limpa dos jovens investigadores Lucas Menezes Meireles, de 25 anos, e Luno Eustáquio Costa Campos, de 24, mudou anteontem. Os dois foram acusados de atirar em colegas de corporação durante investigação de denúncia de tráfico de drogas no Bairro Capelinha, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e matar um deles, o investigador Clenir Freitas da Silva, que tinha 17 anos de polícia. Contra os rapazes, pesam ainda denúncias de que estariam envolvidos com criminosos e que vinham recebendo propina desses bandidos.

O suborno era pago aos dois jovens policiais para que eles dificultassem as investigações e encobrissem assassinatos ligados à disputa por bocas de fumos em Betim e para fazer a escolta de carregamento de entorpecentes. Segundo informações, desde que entrou para a Polícia Civil, Lucas aumentou seu patrimônio. Ele teria comprado, à vista, um apartamento, um carro e uma moto de luxo. Poucos antes de o delegado e três investigadores terem sido surpreendidos por tiros disparados pelos dois colegas, eles haviam prendido um traficante e apreendido com ele um envelope com R$ 20 mil, dinheiro que seria entregue à dupla.

Lucas e Luno são lotados na Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV). Eles se apresentaram de madrugada à Corregedoria de Polícia Civil, poucas horas depois de terem sido reconhecidos pela equipe com a qual trocaram tiros, composta por um delegado e três investigadores da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Betim. As informações de colegas que acompanham o caso é que os jovens policiais negaram ligações com organizações criminosas e que eles ainda tentaram incriminar os colegas, afirmando que seguiram para o local onde ocorreu o tiroteio para evitar que os quatro colegas recebessem propina de bandidos.

A Corregedoria, por meio de assessoria, enviou nota informando que: “Lucas Menezes Meireles e Luno Eustáquio Costa Campos, lotados na 8ª Delegacia Especializada de Homicídios de Betim, foram autuados em flagrante pela morte do investigador Clenir Freitas da Silva. Os dois foram recolhidos na Casa da Custódia da Polícia Civil, no Bairro Horto, Região Leste de BH, onde ficarão à disposição da Justiça. As circunstâncias do episódio estão sendo apuradas”.

Companheiros de trabalho foram ao velório se despedir de Clenir, que morreu no serviço e deixa um casal de filhos.  (Facebook/Divulgação)
Companheiros de trabalho foram ao velório se despedir de Clenir, que morreu no serviço e deixa um casal de filhos.


ENTERRO
O corpo do investigador Clenir da Silva foi enterrado ontem à tarde no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçaras, na Região Noroeste de BH. No velório, além de parentes e amigos, mais de 50 policiais, que chegavam a todo instante, e representantes do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol/MG). Familiares pediram privacidade e disseram que não iriam se manifestar sobre a morte do policial. Alguns colegas da vítima aceitaram falar, mas pediram para não serem identificados. Eles lamentaram o caso e disseram que estão indignados com a forma que Clenir foi morto.

“O Clenir era uma pessoa idônea. A gente não vai permitir que esses bandidos que usavam o distintivo da Polícia Civil fiquem denegrindo a imagem do nosso amigo que se foi”, disse uma investigadora, que conheceu o colega durante o curso na Academia de Polícia Civil (Acadepol). O investigador era casado e deixou uma filha de 14 anos e um menino de 10.

Para o presidente do Sindpol/MG, Antônio Marcos Pereira, o caso é muito grave, sendo necessária uma investigação rigorosa. “Se ficar confirmado o desvio de conduta, que eles paguem com todo o rigor. Com certeza, a sociedade terá uma resposta sobre esse lamentável episódio.” Sobre as acusações de que os dois jovens policiais estariam recebendo propina de traficantes, o representante da entidade informou que será necessário um cruzamento da folha de pagamento deles com as declarações de Imposto de Renda.

Tiroteio no cerco ao tráfico

Clenir da Silva acompanhava o delegado e dois colegas investigadores num levantamento de uma transação de drogas, com base em denúncias, cuja entrega do carregamento ocorreria entre 18h e 19h, no cruzamento da Avenida Nova Iorque com a Rua Ulisses Ferreira, no Bairro Capelinha, próximo a um trailer de sanduíche. Pouco antes do horário previsto para a negociação entre os traficantes, a equipe seguiu para o endereço e começou a monitorar o ponto.

Durante a observação, os policiais viram M.A.E.R., de 29 anos, se aproximando do local indicado. O homem levava um embrulho embaixo do braço. Desconfiado de se tratar do criminoso que faria a entrega da droga, o delegado e os três investigadores resolveram abordá-lo. No pacote que o suspeito carregava, havia dinheiro (R$ 20 mil) e algumas porções de cocaína.

Enquanto abordavam o suspeito, um Fiat Stillo amarelo, ocupado por dois jovens, se aproximou por trás da equipe policial. Tratava-se de uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, que era conduzida por Lucas. Luno estava no banco do carona. Desconfiado e de que se tratava de comparsas de M.A., o investigador Clenir ordenou que o motorista parasse e por três vezes gritou: “Parado, polícia”. Além de ignorar a ordem policial, o condutor passou por Clenir e os demais colegas atirando.
Depois de balear o investigador, que morreu a caminho da UPA Teresópolis, os ocupantes do Stilo deram mais tiros na equipe – atingiram um ônibus, uma Kombi e um Fiat Uno – e fugiram em alta velocidade. O veículo foi abandonado a três quarteirões do local do fato, próximo a uma linha férrea. Testemunhas disseram ter visto os dois ocupantes entrando em outro carro.

Lucas foi reconhecido por uma testemunha e denunciado porque estaria no local com Luno para receber os R$ 20 mil. O delegado responsável pela delegacia onde os dois policiais trabalham foi avisado e os convenceu a se apresentar.

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