“PMs me disseram: ‘É hora de você morrer'”, diz advogado preso em ato

Posted On 02/07/2014

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O advogado Daniel Biral, 33, integrante do grupo Advogados Ativistas – que acompanha atos e protestos para oferecer auxílio jurídico para manifestantes –, diz ter sido ameaçado de morte e torturado por policiais militares após ser detido durante um ato na praça Roosevelt, no centro de São Paulo, na noite desta terça-feira (1º),contra a prisão de dois manifestantes em junho.

Biral foi preso por desacato à autoridade com uma colega, ao exigir a identificação de uma policial que acompanhava o ato. “Exigi que ela apresentasse ao menos a patente, já que ela estava cobrindo a identificação, que é obrigatória. Nesse momento outro oficial da tropa de choque me retira violentamente do local e me leva para trás dos escudos do choque”, afirma o advogado.

 

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“Fui conduzido para um camburão, me dão gravata, me pegam pelas pernas e me arrastam escada abaixo na praça Roosevelt. Fui batendo a cabeça degrau a degrau”, diz.

Biral foi colocado dentro de um carro da polícia e algemado. “Disse que não era preciso me algemar, e o PM me responde que ‘não é necessário, mas, se você não deixar, eu vou quebrar o seu braço'”, conta.

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Ao chegar ao 4º DP, o advogado afirma ter sido torturado com socos e pontapés e diz ter ouvido a seguinte frase: “Agora que não tem câmera é hora de você morrer”. “Me espancaram muito. Fui torturado ali na frente do DP. Recebi três golpes tão fortes na cabeça que desmaiei”, diz.

Segundo ele, outro grupo de PMs o levou até uma segunda delegacia, onde o delegado plantonista não permitiu que ele registrasse um boletim de ocorrência por abuso de autoridade dos policiais. “Ele falou que, se eu fizesse isso, não seria lavrado o termo circunstanciado, o que implicaria que ficaríamos presos em flagrante”, diz.

Biral reuniu-se nesta tarde com a direção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para discutir que medidas serão tomadas com relação à sua prisão.

Procuradas, a assessoria de imprensa da PM e a SSP (Secretaria de Segurança Pública) apenas confirmaram a detenção dos dois advogados, mas não se manifestaram quanto aos supostos abusos policiais.

OAB-SP pede providências

Além de Biral, a advogada Silvia Daskal Hirschbrush também foi presa durante o protesto de ontem. Os dois e o advogado Benedito Roberto Barbosa, detido pela PM durante uma reintegração de posse no centro da capital na semana passada, participaram de uma reunião com representantes da OAB-SP.

Após o encontro, a entidade emitiu uma nota de repúdio à atuação da polícia. “Todos foram imobilizados com violência, levados, sem presença de representante da Ordem, e no caso da Roosevelt, recebemos denúncia de que houve violência durante o percurso ao DP e negativa do delegado em registrar boletim de ocorrência por abuso de autoridade e lesões corporais, como se coubesse a ele valorar se houve ou não abuso, quando sua competência é de receber e apurar a denúncia”, afirmou Marcos da Costa, presidente da OAB-SP.

A entidade enviou ofícios ao secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira; ao procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, ao corregedor da PM, Cel. Rui Conegundes de Souza, e ao ouvidor das Polícias, Júlio César Fernandes Neves,  pedindo providências.

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