Polícia Civil cruza os braços por 24 horas em, pelo menos, sete estados Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/policia-civil-cruza-os-bracos-por-24-horas-em-pelo-menos-sete-estados-12550405#ixzz32NStU2ac © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Posted On 21/05/2014

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Policiais erguem faixa em frente à sede da Polícia Civil, na Rua da Relação, no Centro Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Policiais erguem faixa em frente à sede da Polícia Civil, na Rua da Relação, no CentroGABRIEL DE PAIVA / AGÊNCIA O GLOBO

RIO – Sete sindicatos e associações de policiais civis confirmaram ontem que farão paralisações de seus serviços nesta quarta-feira. O movimento, que tem por objetivo reivindicar melhores salários, condições de segurança e infraestrutura, promete afetar os estados de Rio de Janeiro, Minas, Bahia, Rondônia, Santa Catarina, Pará e Piauí, e também no Distrito Federal. Segundo o G1, podem aderir ao movimento Alagoas, Paraíba e Sergipe. A adesão da Polícia Militar ao movimento não foi tão ampla. Estão previstas paralisações apenas nos estados do Piauí e do Pará.

No Rio de Janeiro, representantes de classe da Polícia Civil também estão parados, mas segundo o presidente do sindicato, 40% do efetivo está trabalhando. As associações ligadas à Polícia Militar informaram, por sua vez, que não haverá greve da categoria. Em São Paulo, até às 20h de ontem, não havia indicativo de paralisação em nenhuma das forças de segurança.

Em Minas Gerais, a Polícia Civil só atenderá a casos prioritários. Segundo Roberto Coelho, gerente de informação do Sindpol, ocorrências de assalto e furto de veículos não serão feitas. Em Belo Horizonte, policiais civis ligados ao Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais, o Sindpol-MG, queimaram caixões na Praça Sete, no Centro da capital, na tarde desta quarta-feira. Em protesto a favor de melhorias no sistema de segurança pública, a categoria interditou o trânsito entre as avenidas Afonso Pena e Amazonas, um dos locais de maior fluxo de veículos e pedestres da cidade.

De acordo com a PM, o ato conta com cerca de 70 manifestantes. Atrás de um carro de som, o grupo fez concentração no Bairro Lagoinha e seguiu em passeata até parar em frente ao obelisco da Praça Sete. Até o momento nenhuma ocorrência foi registrada. Uma assembléia geral será realizada. A pauta de reivindicação segue a direção nacional do movimento.

No Distrito Federal, o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal informou nesta quarta-feira que pelo menos 30% dos agentes de polícia estão trabalhando normalmente hoje para garantir o atendimento de flagrantes e ocorrências consideradas graves, como homicídios, sequestros-relâmpagos e estupros. A adesão dos agentes do DF à paralisação nacional da categoria começou às 8h e vai até a meia-noite.

Segundo o sindicato em Brasília, a orientação é para que serviços como emissão de carteiras de identidade seja suspensa, assim como o registro das demais ocorrências consideradas de menor gravidade. De acordo com o sindicato, o salário bruto inicial de um agente policial é de R$ 7.514,33 por mês. A categoria reivindica a equiparação a outras categorias federais e distritais classificadas como de nível superior, que estariam com salário bruto inicial de cerca de R$ 12 mil. Os policiais farão ato hoje na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a partir das 15h.

Na Bahia, os representes da categoria informaram que haverá um efetivo mínimo de 30% de policiais no atendimento a prisão em flagrante, levantamento cadavérico, crimes contra a criança e contra a vida. No Espírito Santo, só os delegados vão trabalhar. Em Santa Catarina, apenas serviços de emergência e urgência deverão ser mantidos.

No Rio Grande do Sul, o cenário é bem diferente. O sindicato dos policiais civis optou por não aderir ao movimento nacional por já ter suas reivindicações atendidas pelo governo. Apesar disso, com cerca de 5 mil agentes, a categoria ainda reclama do baixo número de servidores e da demora na nomeação dos concursados. Mesmo sem greve, a categoria disse estar solidária ao movimento nacional por melhores salários.

No sábado, a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) divulgou um panfleto intitulado “A segurança pública pede socorro”. Nele, destacava os altos índices de violência do país, como a taxa de 27,4 mortes para cada 100 mil pessoas e criticava o baixo efetivo policial.

No Pará e no Piauí, os policiais militares vão parar. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM do Piauí, cabo Agnaldo Oliveira, informou ontem que todo o efetivo, de 5.400 homens, vai aderir à paralisação nacional da categoria.

— Os soldados só vivem doentes porque com o dinheiro do auxílio-refeição só podem comer espetinhos de gato nas ruas, e a gente sabe que comida de rua não tem procedência, e muitos adoecem. Uma refeição não custa menos de que R$ 12 ou R$ 14 — disse ele.

PF faz assembleias

Na Polícia Federal também há uma pequena agenda de paralisações. Elas estão previstas para ocorrer hoje no Acre e no Pará. No Piauí, ela está agendada para amanhã. Em São Paulo, um protesto deve ocorrer no sábado, e no Rio Grande do Norte, os agentes podem cruzar os braços no dia 26. Há ainda assembleias de categoria marcada para ocorrer em diversos pontos do Brasil nos próximos dias. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ela ocorre hoje às 11h. (Biaggio Talento, Cibelle Brito, Demétrio Weber, Efrém Ribeiro, Ezequiel Fagundes, Flavio Ilha, Rafaela Marinho, Raphael Kapa, Ricardo Araújo, Thays Lavor)



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