Cartas apreendidas revelam esquema de presidiários em São Paulo

Posted On 29/11/2013

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Cartas apreendidas revelam esquema de presidiários em São PauloMulher levava dezenas de cartas, com detalhes sobre a quadrilha. Bandidos controlam o crime dentro e fora dos presídios.

Por Murilo Zara
Presidente Prudente, SP
 

Para tentar escapar das escutas telefônicas, a quadrilha que controla o crime dentro e fora dos presídios de São Paulo passou a se comunicar por correspondência. A polícia prendeu uma mulher que levava dezenas de cartas, com detalhes sobre o pagamento de propinas e sobre o arsenal do bando.

Foi graças a uma denúncia que a polícia identificou a mulher que tentava entrar no presídio com as cartas. Ela foi barrada durante a revista pelos agentes penitenciários, que já estavam alertados sobre o caso.

A mulher, que é namorada de um dos presos, foi detida e mandada para um hospital. Os médicos descobriram que ela levava, dentro do corpo, 30 páginas de documentos da quadrilha.

Em uma das cartas aparece o último levantamento do arsenal: 177 fuzis dos modelos AR-15, de uso exclusivo das Forças Armadas, e AK-47, fuzil de assalto fabricado na Rússia. O balanço sobre os armamentos traz uma anotação curiosa: diz que um integrante da quadrilha, conhecido como Chupa Cabras, perdeu um fuzil e terá que repor.

Em outras cartas, criminosos que estão soltos fazem um balanço da propina. Eles informam aos chefes da quadrilha sobre as quantias que teriam sido pagas a policiais corruptos em São Paulo. 

Uma das cartas menciona o distrito policial do bairro Parada de Taipas, na Zona Norte da capital paulista. Um criminoso escreveu que “a 74 DP está indo todos os dias à paisana na loja”. Segundo o Ministério Público, loja significa ponto de venda de drogas. A carta diz que os policiais falaram que se “não pagarmos, não vão sair”.

Em outro documento, os criminosos detalham vários acertos: um de R$ 1 mil para a PM, em um ponto de tráfico em setembro, e outro no mesmo valor para a Polícia Civil, em outubro. Há ainda um terceiro acordo, no valor de R$ 3 mil para a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes.

Sete chefes da quadrilha que teriam acesso a essas cartas foram transferidos da penitenciária de Presidente Wenceslau este mês. Agora, eles estão no presídio de Presidente Bernardes , que aplica o regime disciplinar diferenciado. No local, cada preso fica sozinho em uma cela e só sai duas horas por dia para o banho de sol.

Em outubro, o Ministério Público pediu à Justiça que mandasse para o presídio 34 integrantes da quadrilha, mas a Justiça negou a transferência de 27 deles, entre eles a do chefe do bando, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que assim que receber os documentos, todos os fatos envolvendo denúncias contra policias serão investigados pelas corregedorias.

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