Diversificado, protesto em SP alterna alvos e põe nas ruas novos ‘caras pintadas’ Leia mais em: http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2013/06/18/difuso-de-publico-e-de-propostas-protesto-em-sp-mira-corrupcao-e-traz-novos-caras-pintadas-as-ruas.htm

Posted On 18/06/2013

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Janaina Garcia
Do UOL, em São Paulo

Jovens “caras pintadas”, empresários, aposentados, profissionais liberais e representantes de movimentos políticos e sociais: a quinta manifestação contra o aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo foi tão diversificada de público quanto de ‘bandeiras’ defendidas durante o ato, realizado nessa segunda-feira (17) pelas principais ruas e avenidas da cidade.

MANIFESTANTES GRITAM PALAVRAS DE ORDEM PELA PAZ E CONTRA A PM

Entre os manifestantes ouvidos pelo UOL, e mesmo nas faixas e gritos de guerra, o aumento das tarifas do transporte perdeu espaço considerável para as queixas, em primeiro lugar, contra a corrupção. Outra razão de ser do ato, citada pelos participantes, foi a violência policial —que ficou explícita, por exemplo, na repressão à manifestação da última quarta-feira (13).

O caráter difuso do movimento abrangeu ainda temas como a falta de investimentos em saúde e educação públicas, a PEC 37 (que limita o poder de investigação do Ministério Público), o Estatuto do Nascituro, os gastos com a Copa do Mundo e até a liberdade palestina e o fim dos conflitos na Turquia.

Para a aposentada Marita Ferreira, de 82 anos, que esteve com o filho no Largo da Batata e na avenida Faria Lima, o protesto passa ao largo do preço da tarifa. “Participo, primeiro, porque eu gosto. Queremos um Brasil melhor, com muita saúde, e [queremos] deixar de violência. É ou não é?”

“Vim porque estou de saco cheio”, diz aposentado

Na avenida Juscelino Kubitshek, a caminho da ponte Estaiada, o aposentado Marco Antonio, 58, foi taxativo na razão que o levou a acompanhar a massa que começou dominada por figuras mais jovens, há pouco mais de uma semana: “Vim porque estou de saco cheio. Vejo um pessoal aposentado catando latinhas, enquanto que para o Senado, por exemplo, a gente vê algumas mordomias completamente descabidas” , disse.

Também na Faria Lima, a socióloga Gisela Wajskop, 55, definiu a motivação para estar no protesto: “Chega de negociação, o povo tem que se manifestar. Chega de pacto com o capital: vamos mudar esse discurso”, resumiu, ela que foi com o filho ao ato.

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Protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo200 fotos

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17.jun.2013 – Brasileiros fazem protesto no Hyde Park em Sydney, na Austrália, contra o aumento da tarifa do transporte público no Brasil, nesta segunda-feira (17). Aos gritos de “o gigante acordou”, os manifestantes ficaram debaixo de chuva e frio, acompanhados de perto pela polícia Hermann Wecke/Futura Press

Na opinião do empresário Leonardo Cristiano, que foi de bicicleta ao ato e disse não usar transporte público, “quem pode mudar algo no país é a gente.” “E nossa força é muito maior que as pessoas que estão no poder e não estão nem aí para o país, mas para seus próprios interesses”, concluiu.

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Cotas e violência da PM

Educadora e voluntária do projeto Educafro, Lurdinha Ielo Dori, na avenida Juscelino Kubitschek, a caminho da ponte Estaiada, citou o valor da passagem como razão para ir às ruas. “Além de ser uma manifestação pacífica, [a razão é que] lido com jovens de periferia e sei o quanto R$ 0,20 fazem falta no bolso deles. Sou solidária a todos”. Ao lado da educadora, o frei Davi Santos, 60, completou: “Há 15 anos estamos esperando a reforma agrária e ela não vem. Já Lula assinou a lei de cotas e  até agora a presidente Dilma não a regulamentou”.

ANÁLISES

“Por mais justo que seja baratear a tarifa, suas vantagens são questionáveis se for para ter menos, mais lentos, precários e superlotados serviços de transporte coletivo” Leia mais
Depois da estupidez dos tiros de balas de borracha e das bombas de gás lançadas a esmo contra os manifestantes, em enorme quantidade, vem o indiciamento por formação de quadrilha de dez detidos. Uma polícia que não distingue entre os que se valem de um momento caótico para fazer baderna, mesmo com vandalismo, e os que se organizam com a finalidade de ganhar pelo crime, não pode se impor nem a arruaceiros Leia mais
“Alguém acha que a realidade vai mudar apenas com protestos online ou cartas enviadas ao administrador público de plantão? Desculpe quem tem nojo de gente, mas protesto tem que mexer mesmo com a sociedade, senão não é protesto” Leia mais
Prisões realizadas no protesto são ilegais. A detenção para averiguação é algo da Ditadura Civil Militar. Não existe isso no Código de Processo Penal, isso é uma coisa arbitrária e configura o crime de abuso de autoridade Leia mais

Na percurso entre o Largo da Batata e a ponte Estaiada, policiais só foram vistos pela reportagem em grupo de cinco, caminhando, na Faria Lima, e na avenida Roberto Marinho –onde três veículos da Polícia Militar se posicionavam próximos à sede da TV Globo.

Dali, até a caminhada do grupo pelas duas pistas da marginal Pinheiros, sentido Castello Branco, e avenida Cidade Jardim, até a avenida Nove de Julho –de onde os manifestantes seguiram para a avenida Paulista –, a ausência de policiamento ganhou palavras de ironia (“que coincidência, não tem polícia, não tem violência”) e marcou a cena do protesto juntamente com o breu das vias públicas.

Protesto traz novos “caras pintadas”

Entre os jovens que pintaram o rosto nas cores de verde e amarelo, em alusão aos cara-pintadas que conseguiram o impeachment de Fernando Collor, em 1992, a estudante de 3º ano de Santo André Carolina Araujo, 17, citou entre as razões para estar no ato “o aumento da tarifa, pois uso transporte público todo dia, e contra a corrupção, contra o caos na saúde.

Outro cara pintada presente na marginal Pinheiros, o estudante de Filosofia Victor Fernando Paulino foi taxativo: “Vim devido ao modo como a PM agiu com a repressão [de quinta-feira passada]”, justificou. “Só queremos mostrar nossa liberdade e protestar por mais educação e contra a corrupção. É um protesto por liberdade, enfim”, classificou a estudante sabela Cristina Mondino, 17.

Ausência de PMs e de agentes da CET

Além da quase ausência de PMs, diferentemente das manifestações anteriores, nessa manifestação praticamente também não foram vistos agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) por onde o grupo passava. Em cruzamentos da avenida Cidade Jardim, por exemplo, os próprios manifestantes negociaram com motoristas de ônibus e de outros veículos interdições temporárias. Não houve confrontos.

Encontro de tribos e famílias na região da Paulista

Sem confrontos e com policiais nas calçadas, a Paulista serviu como ponto de encontro final de parte dos manifestantes e início da participação de quem mora nas imediações. Cenário bem diverso daquele registrado na quinta, quando PMs da Tropa de Choque atiraram a esmo e acertaram manifestantes, jornalistas e até moradores e trabalhadores da região.

Para a cantora Erica Alves, 26 anos, o cartaz com a inscrição “Estatize já” é o recado para “a necessidade de transporte público gratuito”. Com ela, na rua Augusta, o advogado Igor Lod Marchetti, 24, citou os mais de 200 mil participantes em atos semelhantes Brasil afora e concluiu: “A unificação das lutas é bandeira histórica das esquerdas, não foi à toa que deu tanta gente. E muita gente deixa de comer para se transportar – e não raro, por vezes não tem nem dinheiro para ir atrás de seus direitos em uma Defensoria Pública, por exemplo, porque precisa do transporte público e precisa comer.”

Ainda na Augusta, pai, mãe e filho desceram juntos do ato na Paulista. “Tenho a esperança de mudança, a esperança de um Brasil melhor a meus filhos. Por isso protesto: contra a corrupção generalizada”, disse o juiz aposentado José Ferraz, 72. Para o filho dele, o coordenador de projetos Gustavo Ferraz, 39, a participação “é pela indignação generalizada”.

“Estávamos amorfos, anestesiados”

A matriarca da família, a aposentada Vera Lúcia Alves de Lima, 65, arrematou: “Participo porque recobrei a esperança que há muitos anos não tinha nas reivindicações. Estávamos amorfos, anestesiados, sem voz, sem canais. Quando percebi que os manifestantes falavam além dos R$ 0,20 [do aumento da tarifa], vim, porque falam também de problemas prioritários como os da saúde. Tudo isso é maior”, definiu.

O sexto ato do tipo está marcado para a tarde desta terça-feira (18), na Praça da Sé, região central de São Paulo. Até a

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