Bombeiro compara inquérito da Boate Kiss a degolas em praça pública Responsabilizado pela Polícia Civil, major Gerson da Rosa Pereira divulgou carta aberta à população nesta terça-feira

Posted On 27/03/2013

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Major do Corpo de Bombeiros criticou o trabalho do delegado Marcelo Arigony (foto) Foto: Wilson Dias / Agência BrasilApontado como responsável no inquérito que investigou as causas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, major Gerson da Rosa Pereira, chefe do estado maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, divulgou nesta terça-feira carta aberta à população em que critica o trabalho conduzido pela Polícia Civil gaúcha. Se dizendo indignado pela “maldade e falta de escrúpulos” do delegado Marcelo Arigony ao inclui-lo no inquérito – mesmo cabendo à Justiça Militar o julgamento de eventuais crimes cometidos por bombeiros -, o major comparou a divulgação das investigações a execuções medievais.

 

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“Publicar um relatório na íntegra, com nomes de pessoas e suas individualidades, além de depoimentos não autorizados na imprensa, se assemelha às execuções de guerra e às degolas em praça pública do século medieval. Dentre estas pessoas, certamente, teremos pessoas inocentes, ao menos aos olhos da Justiça dos homens. Estamos diante de uma nova modalidade de execução sumária”, afirma. “Minha família e vida pessoal foram feridas de morte sem qualquer possibilidade de reparo, nem mesmo qualquer indenização ou retratação pelos responsáveis poderá desconstituir a exposição que sofri”, argumenta o bombeiro.

 

Publicar um relatório na íntegra, com nomes de pessoas e suas individualidades, além de depoimentos não autorizados na imprensa, se assemelha às execuções de guerra e às degolas em praça pública do século medieval

Major Gerson da Rosa Pereirachefe do estado maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros do RS

O major também questiona o crime imputado a ele no inquérito (fraude processual), que não está previsto no Código Penal Militar. “Como sou militar e não há previsão desta conduta típica no Código Penal Militar, não haveria nem como ‘enxovalhar’ o nome que defendo e defendi durante toda minha vida pessoal e profissional, ‘arrumando’, às pressas, alguma coisa a me imputar”, reclama Pereira, que nega qualquer tentativa de prejudicar a investigação do incêndio. “Minhas declarações estão lá, nunca deixei de contribuir, nunca ocultei ou inseri qualquer documento que comprometesse a investigação.”

 

Choro, pois não esperava do senhor e de sua instituição meu indiciamento por crime comum (crime impossível), expondo minha vida, minha família, minha carreira

Major Gerson da Rosa Pereiradirigindo-se ao delegado Marcelo Arigony

No trecho final da carta, o bombeiro se dirige diretamente ao delegado Arigony, que, na apresentação do inquérito, afirmou que poderia, enfim, dar-se ao luxo de chorar. “Como o senhor, chorei por todas as pessoas que conhecia, pelos 241 inocentes e sua família com suas casas vazias e pelas calúnias e difamações que sofremos como instituição e pessoas”, diz o major. “Mas choro pelo espetáculo proporcionado por sua instituição, do qual poderíamos ser poupados; choro pela desconsideração em relação aos militares que o senhor não tinha competência de indiciar e, que, na ‘maior boa vontade’ prestaram depoimentos desnecessários à sua instituição. (…) Choro, pois não esperava do senhor e de sua instituição meu indiciamento por crime comum (crime impossível), expondo minha vida, minha família, minha carreira”, argumenta Pereira.

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