Promotores pedem isolamento de cúpula do PCC em prisões federais Leia mais em: http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2012/11/09/ministerio-publico-quer-isolamento-de-cupula-do-pcc-em-prisoes-federais.jhtm

Posted On 09/11/2012

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Um grupo de 12 promotores de Justiça elaborou um documento defendendo o isolamento da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) e a transferência dos líderes da facção criminosa de presídios do Estado de São Paulo para unidades federais. “O sistema prisional do Estado (de São Paulo) não tem condições de assegurar o isolamento de líderes das organizações criminosas e impedir (…) que exerçam influência e liderança”, diz o documento, ao qual a BBC Brasil teve acesso. Ver em tamanho maior Onda de violência em São Paulo Foto 2 de 31 – 21.jun.2012 – Um ônibus de passageiros é incendiado em Taboão da Serra, sul da Grande São Paulo. Bandidos obrigaram passageiros, motorista e cobrador a saírem e atearam fogo ao veículo. No mesmo dia, uma base da PM foi alvejada a tiros em Santo Mateus, na zona leste da capital Eduardo Anizelli/Folhapress O tema é sensível e polêmico. O chefe da facção, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e uma dúzia de criminosos que formam a cúpula do PCC são detentos do sistema prisional paulista. Segundo o Ministério Público, eles são capazes de controlar todo grupo, enviando de dentro da cadeia ordens, por meio de telefones celulares, para gerir o tráfico de drogas, comprar armas e assassinar rivais e autoridades. UNIÃO E GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO ANUNCIAM CRIAÇÃO DE AGÊNCIA PARA COMBATER CRIME ORGANIZADO Em 2006, a transferência dessas lideranças para presídios paulistas de regime disciplinar mais rígido teria sido, segundo analistas, um dos gatilhos de uma onda de ataques que parou a cidade e matou quase 500 pessoas. LEIA MAIS Outros 2 líderes do PCC vão para regime mais rígido Líderes do PCC poderão ir para prisão de Mossoró PCC dá abrigo a bandidos do Rio em Heliópolis Alckmin diz que líderes do PCC poderão ir para o RDD Uma série de transferências de integrantes de escalões mais baixos da facção, que já faz parte da nova parceria entre o Estado de São Paulo e a União, está programada para ocorrer nos próximos dias. A medida é interpretada por analistas como um recado do governo paulista para a cúpula da facção. O primeiro detento transferido foi Francisco Antônio Cesário, o Piauí, – um membro do terceiro escalão do PCC tido como chefe do narcotráfico na favela paulista de Paraisópolis e acusado de envolvimento em mortes de policiais. Outras 18 transferências de membros de posições hierárquicas inferiores da facção devem ocorrer ainda em novembro. Segurança ‘máxima’ Porém, para a Promotoria de Execuções Criminais de São Paulo – o órgão do Ministério Público que investiga as lideranças do PCC – essa ação não será suficiente para combater a organização. Para esses promotores, apenas o isolamento total de Marcola e de todos os membros do segundo escalão da facção pode desestruturar o PCC. Os promotores elaboraram o documento alertando o Procurador Geral do Estado, Márcio Elias Rosa, sobre a necessidade de “aceitar as vagas federais” e transferir a liderança do PCC para outros Estados. Segundo os promotores, uma investigação da Polícia Federal mostrou que, mesmo em uma penitenciária de segurança máxima em Presidente Venceslau, no interior de Sâo Paulo, os líderes do PCC continuam se comunicando com subordinados. Para eles, afastar a cúpula da facção de São Paulo os faria perder o controle da facção e assim a desestabilizaria. As primeiras transferências e a discussão sobre adoção da iniciativa entre as lideranças do PCC ocorrem em meio à escalada da violência com conflitos armados e assassinatos envolvendo a polícia e a facção criminosa PCC. Como resultado, mais de 130 pessoas foram mortas só nas últimas duas semanas o que criou uma sensação de medo generalizado em São Paulo. Ajuda da União A possível transferência de líderes do primeiro escalão do PCC de presídios paulistas para unidades prisionais da União pode vir a ser a mais polêmica das medidas negociadas entre o governador Geraldo Alckmin e o governo federal. Há menos de um mês, o governo de São Paulo se dizia capaz de resolver localmente a atual onda de violência, que vem crescendo desde maio. O comércio em diversos bairros da periferia tem fechado até três horas mais cedo. Moradores evitam sair na rua à noite temendo a chegada de atiradores mascarados em motocicletas – que diariamente disparam tanto em policiais como em suspeitos de ligação com o narcotráfico. Escolas de portas fechadas e ônibus incendiados por criminosos também compõe o cenário da capital paulista dos últimos dias. Esse pico de violência, ao lado da execução de 90 policiais e de três agentes penitenciários desde o início do ano, fez o governo do Estado mudar de estratégia e aceitar ajuda da presidente Dilma Rousseff.

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